PROJETO DE LEI CONTRA HOMOFOBIA CONTINUA PARADO NO SENADO

dezembro 4, 2008 at 11:54 am (1)

Passado o ‘frenesi’ da Parada Gay, movimento LGBT perde espaço para debates

“Enquanto não tivermos uma Lei Nacional contra a homofobia, continuaremos a ter dificuldades em combater a discriminação e lutarmos pela liberdade sexual”, afirmou a advogada que atua junto ao Grupo de Resistência Asa Branca (Grab), Lourdes Vieira. Desenvolvido em 2001, a partir de ações da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), em parceria com mais de 200 organizações afiliadas no Brasil, o Projeto de Lei da Câmara (PLC) aponta a homofobia como crime.

Há três anos, o Projeto espera por votação no Senado. “Estão silenciando os debates em torno do PLC. O movimento de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais faz pressão enquanto a bancada religiosa, formada principalmente por evangélicos, emperra. Essa luta é muita antiga e temos que forçar uma postura do Estado”, afirmou Lourdes Vieira. O projeto, que torna crime a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, tenta equiparar a situação de homofobia à discriminação de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, sexo e gênero, ficando o autor do crime sujeito a pena, reclusão e multa.

No último dia 3 de novembro, um casal homossexual afirma ter sofrido discriminação sexual por um funcionário do Centro de Humanidades da Universidade Estadual do Ceará (UECE). Em protesto contra a situação de violação, mais de 30 casais, entre homossexuais e heterossexuais, realizaram um beijaço contra o possível ato de homofobia. O beijo gay gerou polêmica e reacendeu os debates sobre o tema da liberdade sexual. “A situação que vivemos foi muito constrangedora. A gente estava sentado em um banco se beijando normal como um casal heterossexual. O funcionário da Uece mandou que a gente parasse”, narra o aluno, pedindo que não fosse revelada sua identidade.

Entretanto, essa não foi a primeira manifestação pública contra homofobia em Fortaleza. Em maio de 2005, depois de duas garotas serem “convidadas” a se retirar de uma boate em Fortaleza (Órbita), um grupo organizou, em frente ao estabelecimento, um apitaço contra a discriminação e a homofobia. Na ocasião da suposta discriminação, um casal homoafetivo foi advertido por um segurança para que parassem de se beijar ou teriam que se retirar do local. “Não fico me escondendo como todo mundo. Estava com a minha namorada e é natural que a gente se beije. É demonstração de carinho e não tenho que ter vergonha disso”, diz Fernanda Meireles, de 24 anos. A então proprietária da Órbita em 2005, Patrícia Carvalhedo, afirmou: ”sempre que isso acontece recebemos muitas reclamações dos clientes e pedimos, então, que os casais sejam discretos. Não expulsamos, isso tem que ficar claro. Mas temos que achar um denominador comum para não ofender ninguém”.

Em orientação a possíveis situações homofóbicas, a advogada do Grab estimula a denúncia dos casos. “De acordo com a lei municipal nº 8211, de 19 de novembro de 1998, vítimas de discriminação por orientação sexual devem elaborar uma petição e encaminhá-la à Secretaria Executiva Regional de onde ocorreu o fato. Damos total apoio jurídico e técnico. Por desacreditarem na eficácia da Lei, muita gente desiste do processo. Os casos de discriminação são muitos, mas infelizmente muita gente ainda tem medo de levar a frente à denúncia”, afirmou a advogada.

Internet se torna ferramenta importante no combate à homofobia no Brasil

Local de aparente liberdade de manifestação pública, a internet traz inúmeros sites, comunidades do Orkut e listas de debates e discussões on-line para o público gay. O site (www.naohomofobia.com.br) lançou, em outubro desse ano, a Campanha “Não Homofobia!”, que teve como principal mobilização a 13ª Parada do Orgulho LGBT Rio, em outubro de 2008, com o objetivo de ser um canal de divulgação, pressão e mobilização social pela aprovação do PLC 122/06 – criminalização da homofobia. O site deverá ficará ativo até a Parada do Orgulho LGBT Rio 2009, com o objetivo de mobilizar as pessoas e trazer a discussão da violência contra o público LGBT. A campanha estampa manequins com as marcas da homofobia.

No site, um contador digital apresenta os números da discriminação dia-a-dia. Em visita à página virtual no dia 26 de novembro, mais de 23 mil denúncias já tinham sido realizadas. A organização da Campanha afirmou que “além de esclarecer sobre o PLC 122/06 e desfazer boatos e inverdades de setores fundamentalistas e conservadores, o ponto de partida é arrecadar mais de 1 milhão de assinaturas eletrônicas até o fim da campanha na Parada do Orgulho LGBT Rio 2009”.

Como a Lei prevê casos de homofobia em Fortaleza

Em Fortaleza, a Lei municipal Durval Ferraz prevê sanções como multa e cassação de alvará de funcionamento, para estabelecimentos privados que discriminam pessoas por causa de sua orientação sexual.

De acordo com a Lei Municipal nº 8211, de 19 de novembro de 1998, pessoas vítimas de discriminação por orientação sexual deve elaborar uma petição e encaminhá-la à Secretaria Executiva Regional de onde ocorreu o fato. O Grab dispõe de modelo para a elaboração dessa petição e presta assessoria jurídica e orientação àqueles que se sentirem discriminados.

Dado entrado na petição, o Secretário da Regional tem 24 horas para encaminhar o caso a Ouvidoria do Município e esta, deve constituir uma Comissão formada por dois servidores públicos e um advogado para apurar o fato. O denunciado é notificado e tem o prazo de 10 dias para apresentar defesa. O prazo para conclusão do processo não excederá 30 dias úteis, contados a partir da denúncia. O estabelecimento comercial pode receber sanções que vão desde a advertência e multa até a cassação do alvará de funcionamento.
Um desafio enfrentado por vítimas de discriminação por orientação sexual é o fato de grande parte dos estabelecimentos comerciais não conhecerem a Lei revogada. Para sanar este problema, o próprio autor da Lei, o ex-vereador Durval Ferraz, sugere que as entidades que defendem os direitos humanos e dos homossexuais encontrem meios para divulgar a lei. Ele afirma que, na época de sua criação, foram disponibilizados dez mil exemplares de uma cartilha explicativa.

Conheça Lei Durval Ferraz.

Art. 1º – Os estabelecimentos comerciais, industriais, empresas prestadoras de serviços e similares, que discriminarem pessoas em virtude de sua orientação sexual, na forma do inciso XXI do artigo 7º da Lei Orgânica do Município, sofrerão as sanções previstas nesta lei.

Parágrafo único – entende-se por discriminação, para os efeitos desta lei, impor a pessoas de qualquer orientação sexual, situação tais como:
I. Constrangimento;
II. Proibição de ingresso ou permanência;
III. Atendimento selecionado;
IV. Preterimento quando da ocupação e/ou imposição de pagamento de mais de uma unidade, nos hotéis e similares
V. Aluguel ou aquisição de imóveis para fins residenciais, comerciais ou de lazer.

Art. 2º – As sanções impostas aos estabelecimentos privados que contrariarem as disposições da presente lei, as quais serão aplicadas progressivamente, serão as seguintes:
I. advertência;
II. multa mínima de 1.250 UFIR;
III. suspensão de seu funcionamento por trinta dias;
IV. cassação de alvará.

Rio de Janeiro também tem sua Lei Municipal.

No último dia 11 de novembro, o Prefeito do Rio, Cesar Maia, regulamentou a Lei 2475, que proíbe discriminação por orientação sexual em estabelecimentos comerciais. A lei determina sanções às práticas discriminatórias em virtude de orientação sexual, combatendo toda e qualquer forma de discriminação por orientação sexual no Município. Confira texto da lei no site http://www.naohomofobia.com.br/.

Homofobia e Direitos Humanos no Brasil

De acordo com o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-CE, João Ricardo Franco Vieira, não existe a figura delituosa da homofobia. “A aversão que alguém por ventura tenha ao homossexual, por si só não constitui ilícito penal. Para que a conduta se caracterize como crime depende da forma como ela se manifesta, pode haver injúria, difamação, etc. Crime de homofobia não”. Segundo João Ricardo, se a agressão for verbal podemos estar diante, por exemplo, de um caso de injúria, difamação. Se for física, pode se tratar de injúria real, lesão corporal e até mesmo tentativa de homicídio, dependendo da situação. No aspecto civil há a possibilidade de se requerer reparação de danos.
O conselheiro da OAB, João Ricardo deixa claro que a própria Constituição Federal garante que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei, e não existe lei definindo como devem ser as relações afetivas das pessoas. “Por outro lado também veda a discriminação por causa do sexo. Não existe, porém, lei federal específica que regulamente as relações homoafetivas, embora em alguns Estados da Federação e em alguns municípios existem leis de natureza previdenciária que garante ao convivente homossexual, direitos previdenciários, o que já vem sendo reconhecido pelos tribunais há algum tempo”.
O representante da Comissão de Direitos Humanos da OAB-CE, João Ricardo, ressaltou que o papel do Estado é fundamental importância para a garantia dos direitos decorrentes da cidadania para toda a população. “No caso dos homossexuais especificamente é fundamental políticas públicas de combate ao preconceito, como, aliás, tem ocorrido através de diversas políticas governamentais, e isso é muito evidente nas diretrizes da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República”, enfatizou.

Saiba mais

Entre 1948 e 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificava a homossexualidade como um transtorno mental. Em 17 de maio de 1990, a assembléia geral da OMS aprovou a retirada da classificação do código 302.0 (homossexualidade) da Classificação Internacional de Doenças, declarando que a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão. A nova classificação entrou em vigor entre os países membros das Nações Unidas em 1994, marcando o fim de um ciclo de mais de 2000 anos em que a cultura judaído-cristã encarou a homossexualidade como pecado, crime e doença.

Dados
Pesquisa realizada pela Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT-SP), nos anos 2005 e 2006, revelou que mais da metade dos 846 entrevistados (59%) relatou ter sofrido algum tipo de agressão decorrente da sua sexualidade. Além disso, a pesquisa avaliou o perfil dos possíveis agressores. Em sua maioria (48%) os desconhecidos são os realizadores das agressões mais marcantes, em seguida, os familiares (12%), colegas de escola/faculdade (11%), amigos/conhecidos (9%), colegas de trabalho (3%), chefe (2%) e parceiros (2%). Outros autores aparecem como figuras institucionais: policial (5%), professor (2%), segurança (2%) e funcionário público (1%).

Libera geral!

Se o tema é cidadania, certamente você pensou em direitos e deveres. Voto, segurança, emprego, moradia, cultura, pagar os impostos em dia, zelar pelo meio ambiente são atos de cidadania. Mas entre tantos direitos, nem sempre lembramos do direito à liberdade.

De acordo com Aristóteles, nós somos livres para agir e não agir. Essa vontade e decisão é auto-determinada e não forçada por nada e ninguém. A nossa inteligência até inclina a vontade numa certa direção, mas não a obriga.

O filósofo existencialista Jean Paul Sartre levou o pensamento de Aristóteles ao extremo. Para ele, estamos condenados à liberdade, ou seja, à escolha incondicional que o próprio homem faz de seu ser. Se não somos felizes, a decisão é nossa. Se somos, também.

Michel Foucault talvez não acreditasse nos benefícios da parada gay, pois, para ele, a luta dos homossexuais não é apenas com o mundo externo. O próprio Foucault lutou contra seus inimigos internos e chegou a tentar suicídio por não ser aceito por seu pai, médico conceituado, que chegou a levá-lo a um hospital para “virar homem”. Nietzsche foi quem o ajudou a compreender que ter um ponto de vista original não era um pecado pelo qual se devesse pagar caro. Foucault jamais apresenta uma resposta, uma solução, nem aponta um caminho que possa ser considerado como “certo” para as problemáticas gays. Ele faz uma analogia da sociedade com uma torre, um grande olho que vigia os prisioneiros para que, qualquer desvio de conduta, seja respondido com a punição devida num jogo de poder entre a sociedade moderna e o sexo reprimido.

Confira lista de filmes com temática GLBT:
1-Perdidos na Noite (Midnight Cowboy, 1969)
2-Morte em Veneza (Morte a Venezia, 1971)
3-Um dia de Cão (Dog Day Afternoon, 1975)
4-A Cor Púrpura (The Color Purple, 1985)
5-A Lei do Desejo (La Ley Del Deseo, 1987)
6-Maurice (Idem, 1987)
7-Garotos de Programa (My Own Private Idaho, 1991)
8-Um Amor Diferente (Salmonberries, 1991)
9-Tomates Verdes Fritos (Fried Green Tomatoes, 1991)
10-O Banquete de Casamento (Hsi Yen, 1993).
11-Priscilla, a Rainha do Deserto (The Adventures of Priscilla, Queen of the Desert, 1994)
12-Somente Elas (Boys On The Side, 1995)
13-Delicada Atração (Beautiful Thing, 1996)
14-Será Que Ele É? (In & Out, 1997)
15-Minha Vida em Cor-de-Rosa (Ma Vie en Rose, 1998)
16-O Oposto do Sexo (The Opposite Of Sex, 1998)
17-Vamos Nessa (Go, 1999)
18-Tudo Sobre Minha Mãe (Todo Sobre Mi Madre, 1999)
19-Segredos e Confissões (Common Ground, 2000)
20-O Clube Dos Corações Partidos (The Broken Hearts Club – A Romantic Comedy, 2000)
21-Coisas Que Você Pode Dizer Só De Olhar Para Ela (Things You Can Tell Just By Looking At Her, 2000).
22-Billy Elliot (Idem, 2001)
23-Hedwig – Rock, Amor e Traição (Hedwig and The Angry Inch, 2001)
24-Madame Satã (Idem, 2002)

Confirma a lista completa no site.

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LIVRO DISCUTE TV DIGITAL E REDES DE PODER

novembro 11, 2008 at 8:26 am (Notas curtas)

“De tempos em tempos, os meios de comunicação se reconfiguram: passam por processos de transformação que geralmente redefinem tais meios. Mas nenhuma época tem sido tão expressiva no desenvolver das tecnologias da comunicação como os últimos 50 anos, com a chegada e implantação da internet. Se tudo tem a raiz lá atrás, afinal, o que sobra para se chamar de novo?”, trecho livro Além da redes.

Em meio a tantos debates sobre comunicação e tecnologia, o tema da Tv digital entra em pauta. A dica dessa nota é a leitura do livro ‘Além das redes de colaboração’. Melhor que ser telespectador ativo, podemos ser leitores críticos. A idéia da produção literária, que está disponível na internet, é trazer subsídios para o debate sobre poder e comunicação.

Reunindo acadêmicos de várias áreas do conhecimento, ativistas e artistas, “Além das Redes de Colaboração” trabalha a contradição entre as possibilidades de criação e disseminação culturais inerentes às redes informacionais e as tentativas de manter a inventividade e a interatividade sob o controle dos velhos modelos de negócios construídos no capitalismo industrial. O livro pretende jogar luz sobre essas batalhas biopolíticas para decifrar as disputas sociotécnicas em torno da definição de códigos, padrões e protocolos.

“O desafio tecnológico está lançado. Resta agora que os produtores de conteúdo e difusores do mesmo se adaptem, evoluam e inovem à luz das novas possibilidades, principalmente no tocante à intensa troca de informações (feedback imediato). A tecnologia viabiliza, então, uma TV participativa, na qual temos usuários em detrimento de “pontos de audiência”. Sejam bem-vindos a mais uma reconfiguração do mundo”(artigo A convergência midiática e o papel da televisão digital interativa com Ginga in Além das redes de Thiago Falcão, Carlos Eduardo C. Freire Batista e Guido L. de Souza Filho).

O Livro “Além das Redes de Colaboração” pode ser encontrado nas melhores livrarias. A Editora da Universidade Federal da Bahia é a responsável pela distribuição da versão impressa. Contatos pelo tel/fax: (71) 3283-6164 ou e-mail: edufba@ufba.br. Licenciado em Creative Commons o livro também está disponível para download no site do seminário Além das Redes de Colaboração.

– Para baixar o livro acesso o link http://rn.softwarelivre.org/alemdasredes/wp-content/uploads/2008/08/livroalemdasredes.pdf

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Blogs como fonte: “mesmo velho jornalismo com cara nova”

novembro 4, 2008 at 9:08 am (Notas curtas)

Notas – BlogJornalismo

Em texto ‘O ciberespaço como fonte para Jornalistas’, o escritor Elias Machado põe em pauta a discusssão da tecnologia e das novas fontes: “como a tecnologia digital tende a afetar  tanto os meios de produção quanto os próprios conteúdos, contrapondo-se a teóricos como Meyer que consideram o fenômeno como o “mesmo velho jornalismo” com nova cara”. Os blogs escritos por jornalistas ‘caem no gosto’ das redações e pautam o que vai ser notícia. Desde o ano 2000 no Brasil, os blogs, espécie de diário pessoal e mídia alternativa, têm ganhado a cada dia novas adesões e credibilidade. Para pesquisador Edney Sousa, a interatividade é o sucesso dos blogs. Dados do Technorati, site de busca, mostram o sucesso dessa ferramenta: 35,5 milhões de blogs e que são publicados 1,2 milhão de notas por dia, média de 50 mil por hora.. Esse número só cresce. Sites como WordPress, Blogger e Blogspot recebem novos pedidos a cada minuto.O que faz um blog parecer ser jornalístico é a sua atualização minuto e minuto sobre temas novos, ‘quentes’ da cidade além da credibilidade.O Ceará tem alguns diários de notícias que são referência: Blog do Eliomar de Lima, Ceará é notícia, Blog de Política do Jornal O Povo, entre outros.

Leia o texto de Elias Machado no site: http://www.eca.usp.br/alaic/material%20congresso%202002/congBolivia2002/trabalhos%20completos%20Bolivia%202002/GT%20%203%20%20eduardo%20meditsch/elias%20machado%20gon%C3%A7alves.doc

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Blogs alertam denúncias contra Cúpula do Meio Ambiente

novembro 4, 2008 at 8:52 am (Notas curtas)

Nota curta – webativismo
Trincheiras da web 2.0

Operação Marambaia causa tumulto em toda a imprensa. Desde o dia 29 de outubro, as capas de jornais não trazem outro tema. Entretanto, para os movimentos ambientais de Fortaleza as denúncias de irregularidades ambientais na cidade acontecem rotineiramente e os blogs estão atentos em noticiar. A turma do Movimento Pró-parque alerta no blog: “é função da Polícia Federal a investigação e apuração de crimes. Em nosso Estado, a apuração por crimes ligados à concessão ilegal de licenças confirma suspeitas já publicizadas pelo movimento ecológico, no que concerne à permissividade no processo de licenciamento”. Mesmo com toda a pressão pela prisão dos acusados e cuidados com o meio ambiente, alguns ‘chefões’ já foram soltos. Enquanto isso, a Torre Empresarial do Iguatemi segue sendo construída em área de mangue.

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Trincheiras da web 2.0

novembro 4, 2008 at 8:21 am (1)

 Internet reúne movimentos ambientais de Fortaleza

 

As denúncias de crimes ambientais são anunciadas há muito tempo na internet. Blogs dos grupos SOS Cocó e do Movimento Pró-parque alertavam, na virtualidade, possíveis violações e relações de favorecimento entre os grandes empresários de Fortaleza e órgãos de fiscalização responsáveis por licenças ambientais.

 

Eis que no último dia 30, explode a notícia de que a cúpula do meio ambiente – Ibama, Semam e Semace – teria cometido irregularidades na concessão de licenças em áreas de preservação ambiental no Estado. Novidade para a imprensa? Talvez sim, mas para o movimento ambiental de Fortaleza não. Os blogs já anunciavam isso. A mobilização dos grupos contra a construção da Torre Empresarial Iguatemi foi estopim para os inícios dos debates na capital.

 

Em texto do blog Movimento Proparque (movimentoproparque.blogspot.com/), militantes informam sobre o papel da Policia Federal e necessidade urgente de fiscalização e punição: “é função da Polícia Federal a investigação e apuração de crimes. Em nosso Estado, a apuração por crimes ligados à concessão ilegal de licenças confirma suspeitas já publicizadas pelo movimento ecológico, no que concerne à permissividade no processo de licenciamento”. 

 

Intergrantes do Inventário Ambiental de Fortaleza entregaram dossier à Policia Federal. Desde que a Operação Marambaia foi deflagrada, no último dia 29, os blogs têm recebido denúncias de várias pessoas ligadas ao movimento ecológico, informando sobre possíveis crimes ambientais e licenças que teriam sido concedidas irregularmente: “construção de resorts e complexos hoteleiros sobre dunas, obras que causam aterramento de lagoas e riachos, destruição de sítios arqueológicos. É extensa a lista de crimes ambientais que fazem parte de um dossiê elaborado por representantes do movimento ecológico no Ceará”.

 

>> Marambaia. Os gestores dos principais órgãos do meio ambiente no Ceará, das três esferas de administração (federal, estadual e municipal), foram presos no dia 30 de outubro pela Polícia Federal. A Operação Marambaia aponta autorização irregulares de licenças ambientais para construção de imóveis em áreas de preservação.

 

Ao longo da Operação, foram detidos o superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis no Ceará (Ibama-CE), Raimundo Bonfim Braga (Camundo); o superintendente estadual do Meio Ambiente (Semace), Herbert Rocha; a secretária do Meio Ambiente e Controle Urbano de Fortaleza (Semam), Daniela Valente, e o chefe do Ibama na cidade de Aracati, Antônio César Rebouças.

 

Conheça os blogs

 

– Movimento Pró-Parque: movimentoproparque.blogspot.com/

– Inventário Ambiental de Fortaleza: inventarioambientalfortaleza.blogspot.com/

– SOS Cocó: soscoco.blogspot.com/

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QUEM PAUTA A IMPRENSA

setembro 18, 2008 at 9:00 am (1)

Os blogs escritos por jornalistas ‘caem no gosto’ das redações e pautam o que vai ser notícia    

 

Mais um dia na redação. Notícias não caem do céu, chegam agora on-line. Na rotina de quem precisa de pautas, informações novas, os blog parecem ser as primeira fontes de consulta. É uma rotina: jornalista chega para o seu oficio e, ao invés de ir conversar com os editores, ligar para IML, IJF, ele vai para frente do computador consultar seu blog favorito. E dá para confiar nessa fonte?  Desde o ano 2000 no Brasil, os blogs, espécie de diário pessoal e mídia alternativa, têm ganhado a cada dia novas adesões e credibilidade. Para pesquisador Edney Sousa, a interatividade é o sucesso dos blogs. Dados do Technorati, site de busca, mostram o sucesso dessa ferramenta: 35,5 milhões de blogs e que são publicados 1,2 milhão de notas por dia, média de 50 mil por hora.. Esse número só cresce. Sites como WordPress, Blogger e Blogspot recebem novos pedidos a cada minuto.

 

Nem todo blog é jornalístico, trazem temas variados: depoimentos pessoais, gostos musicais e artísticos, literatura, opiniões e notícias. O que faz um blog parecer ser jornalístico é a sua atualização minuto e minuto sobre temas novos, ‘quentes’ da cidade além da credibilidade. O Ceará tem alguns diários de notícias que são referência: Blog do Eliomar de Lima, Ceará é notícia, Blog de Política do Jornal O Povo, entre outros. Para entender melhor a influência desses blogs jornalísticos vamos comparar o que ‘virou’ notícia nos Jornais de hoje, dia 18, e o que os blogs postaram no dia anterior.

 

>> O que o blog do Eliomar de Lima postou sobre a cidade de Fortaleza e Brasil:      

 

– Ceará é o 22º no índice de desenvolvimento humano

– Marina da Silva deve participar de Ato pró-Luizianne Lins 

– Lula é a favor da União Civil entre homossexuais

– Candidatura de Manuel Santana livre para voar em Juazeiro do Norte

– Acordo recíproco prevê aposentadoria para imigrantes

– Três presos fogem de Aquiraz

– Moronin Torgan: “a mentira vai ganhar a verdade”

– Palácio da abolição passará por reforma

 – Candidatos já não podem ser presos a partir desse sábado

– Alencar é operado novamente e passa bem  

– Dom Aloísio será lembrando em solenidade na AL

 – Acredite se quiser: MP admite derrubar complexo do Beach park

 

>> O que coincidiu: veja o que as capas dos principais Jornais do Ceará trouxeram

 

Lula defende união civil entre pessoas do mesmo sexo (O Povo)

– Licitação para reforma do palácio da Abolição (O Povo)

– Cidade: Desenvolvimento Social. Ceará em 22º no Raking (Diário)

– Reforma na Abolição (O Estado)

– Mais três presos fogem (O Estado)

 

>> O ‘furo’

 

Os três Jornais deram como manchete de capa: a chegada ao Ceará de seis bandidos tidos como perigoso. O Blog do Eliomar não deu.  

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Se blog não for jornalismo, pode ser arte

agosto 26, 2008 at 8:26 am (Textos Aula)

 Blog vira tema de Filme de Murilo Salles

“Criar Criar meu web site/ Fazer minha home-page/ Com quantos gigabytes/ Se faz uma jangada/ Um barco que veleje”,  canção Pela Internet, do cantor Gil.

O tema dos diários eletrônicos está em cartaz! Dessa vez está em cena o Filme ‘Nome Próprio’, que mal estreou comercialmente, é já levou três Kikitos em Gramado. O mote do filme traz um tema novo: a narrrativa da vida da personagem Camila que escreve em um blog. A obra é uma adaptação para cinema do livro “Máquina de Pinball”, da Clarah Averbuck. Pioneira no mundo dos blogs com o Brasileira Preta, Clarah hoje escreve no Adiós Lounge , onde comenta a repercussão e as primeiras impressões da adaptação de sua obra, talvez o primeiro filme brasileiro que se originou de um blog.

Mas o que é um blog? É arte ou Jornalismo? É puro devaneio? O jornalista e blogueiro  Gustavo Jreige apresenta sua opinião em seu blog ‘Outros Olhos’: “As mídias vêm se misturando, sem prejuízo para nenhuma delas. Pelo contrário. Qual blog não se alimenta de material produzido pela mídia de massa? A recíproca também é cada dia mais verdadeira, evidentemente. Cada veículo tem sua função dentro de um sistema que tende, sim, ao excesso de informação. 

“A mistura dos dois é bem-vinda, desde que aconteça com inteligência, respeito e planejamento. Assim não haverá morte da cultura, da imprensa ou da espontaneidade de ser um cidadão, mas uma otimização das informações na rede e fora dela, confiando em um número maior de pessoas – até porque, naturalmente, os conteúdos vão mesmo ficando mais seguros”, completa  Gustavo Jreige.

A internet é um mundo de possibilidades, é a ferramenta deu água a quem tem sede e está dando o que falar. Muito se escrevem, muito se fala. Que informações estão sendo difundidas por aí? É só dar um role na internet que muito vai se achar: diários pessoais e de viagem, blogs literários, de imagens e fotos e de informação jornalística.

O que faz um blog ser ou não ser jornalístico? Para o blogueiro Alexandre Fugita o que faz um blog ser mais ou menos jornalístico é a credibilidade das fontes. “Uma coisa que nós blogueiros sabemos e nossos leitores também sabem é que blogs são uma mídia confiável. Informações por nós divulgadas são tão ou até mais precisas do que as encontradas na chamada mídia tradicional.Fora do Brasil os blogs já possuem um status de bastante credibilidade. Quer ficar sabendo das últimas? Quer saber o que os jornais e revistas da semana que vem estarão falando? Leia blogs”.

“A mistura dos dois é bem-vinda, desde que aconteça com inteligência, respeito e planejamento. Assim não haverá morte da cultura, da imprensa ou da espontaneidade de ser um cidadão, mas uma otimização das informações na rede e fora dela, confiando em um número maior de pessoas – até porque, naturalmente, os conteúdos vão mesmo ficando mais seguros”, completa  Gustavo Jreige.

Enfim, melhor do que tentar entender o que são os blogs, é melhor conferir o que nada rolando por aí …. agente segue conversando!

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José Alcides Pinto: Subversão pela palavra

agosto 14, 2008 at 1:44 pm (Textos Aula)

 

“Tudo aquilo que você lê nos meus livros é verdade. Eu apenas teatralizo um pouco.

Mas não é assim a própria vida?”

Há um pouco mais de um mês, se foi. O alucinado José Alcides Pinto deixou marcas de sua vida em obras. “Toda minha obra é autobiográfica. Tudo aquilo que você lê nos meus livros é verdade. Eu apenas teatralizo um pouco. Mas não é assim a própria vida?”, disse o escritor. O escritor de obras transgressoras – como o relicário Pornô, faleceu no dia 2 de junho, deixando hiatos na literatura nacional. É considerado um poeta de vanguarda e experimental. Muitas definições cabem em sua literatura: fantástica, maldita, alucinada, libertária, transgressora. Enfim, ele não se encaixava em nenhum, se considerava um homem livre. Gilberto Mendonça Teles, estudioso da obra de Alcides, o definiu como poeta sem geração: “ele não se filia esteticamente a nenhuma geração especifica. A liberdade e o propósito de subversão fez dele um poeta sem geração.” 

 Considerado como um poeta maldito, o tema de suas obras, causa um espanto inicial. Seus personagens dialogam com a morte, encaram a dor e a loucura, têm afeto pelo surreal e tremem de desejo com o sexo, e atravessam a fronteira entre o sagrado e o profano, enfim, encaram a vida como experiência mística. “Não existe distancias entre o sagrado e o profano, as fronteiras se bifurcam”, afirmou escritor.

 Professor de Literatura da UFC, Paulo de Tarso Pardal apresenta Alcides como um “autor que se impôs pelo talento e pela atitude iconoclasta. A influência dos cânones dos primeiros momentos do Modernismo Brasileiro é notória em sua obra. A quebra de tabus, a subversão dos preceitos da construção ficcional e poética são marcas em seus textos. ”

Vida e obra são duas dimensões que se confundem em José Alcides Pinto. A clássica trilogia Tempo dos Mortos, é uma demonstração disso: “O livro fala do tempo em que eu estive internado no Hospital dos Servidores do Estado, no Rio de Janeiro”, conta o poeta. Tempo dos Mortos é formada pelo romances “Estação da morte”, publicado pela primeira vez em 1968; e “O enigma” e “O sonho”, ambos de 1974. São escritos pouco extensos que mantém uma heterogeneidade de temática e de universo ficcional, mas que conseguem ter uma certa independência entre si. A poesia de Alcides, como afirma pesquisadora Nelly Novaes Coelho, “assume o Erotismo mesclado ao Satanismo e à Loucura, reafirmando pelo avesso o caráter sagrado do sexo.”  

 Ao tentar que sua obra virasse literatura, se decepcionou. O autor, em vida, não conseguiu reconhecimento amplo.“O fato de meus conterrâneos terem ignorado minha autobiografia, ‘Manifesto Traído, deixou mágoas’, disse Alcides. Sua obra mais conhecida, Os Verdes Abutres da Colina, foram lidas e mal interpretadas, considerado absurdo. “Nenhum personagem do Livro está fora do círculo da Alucinação”, afirma Paulo de Tarso Pardal.

 >> Sobre autor:

 

Ficcionista e poeta, nasceu em São Francisco do Estreito, distrito de Santana do Acaraú, no Ceará. Diplomou-se em Jornalismo pela Faculdade Nacional de Filosofia da antiga Universidade do Brasil e em Biblioteconomia pela Biblioteca Nacional.

Participou de antologias nacionais e estran­geiras. Ganhador de vários prêmios, entre eles o Prêmio Nacional da Petrobrás, na categoria conto, 1988, e o Grande Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), 1999. Foi pro­fessor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universida­de Federal do Ceará. Tem livros publicados na área do romance, novela, conto, teatro, poesia e crítica literária. É considerado um poeta de vanguarda e experimental.

>> Leia José Alcides Pinto:

Unicórnio Dourado

O mar não é tema: tema é o ar do mar.
A poesia é didática – luz
sobre a história e esquecidos altares.
Toda estética; toda, puericultura
lagos oceânicos; ilhas, promontórios
as cidades primevas, o sangue dos heróis
tudo fica muito aquém e além de tuas caldeiras.
De tuas membranas, de tuas
álgidas montanhas marinhas
surge o unicórnio dourado
carregado de sonho e solidão.
E sobre as ondas aquece-se; talvez
esquecido do tempo; a que fim
este unicórnio soçobra-se de mim?

 Plumas e pratas patas – unicórnio
um e único – mar
oh soberano rei dos sorvedouros!

>> Outras obras:

 Site: http://www.jornaldepoesia.jor.br/alcides.html

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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